Conversa ocorreu por telefone neste sábado (31) e abordou também cenário internacional e relações bilaterais
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone neste sábado (31) com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. De acordo com nota divulgada pelo Itamaraty, os dois trataram de temas ligados ao comércio exterior e à cooperação na área de segurança.
Sem detalhar os pontos discutidos, o Ministério das Relações Exteriores informou ainda que a conversa abordou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington, prevista para março e anunciada na semana passada. A data oficial da viagem ainda não foi divulgada.
O contato entre os chanceleres ocorre em meio a um contexto de desconforto diplomático envolvendo o chamado Conselho da Paz, colegiado idealizado e presidido pelo presidente norte-americano para discutir o futuro da Faixa de Gaza e de outros territórios.
Enquanto busca uma aproximação com os Estados Unidos, especialmente nas áreas de comércio bilateral e economia global, o governo brasileiro tem reiterado a posição histórica de defesa da Organização das Nações Unidas (ONU) como principal instância do multilateralismo internacional.
Lula foi convidado a integrar o Conselho da Paz, mas ainda não respondeu formalmente ao convite. Na semana passada, durante um evento em Salvador, o presidente brasileiro fez críticas à proposta de criação do colegiado.
A ligação entre Mauro Vieira e Marco Rubio acontece poucos dias depois de uma conversa telefônica entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada na última segunda-feira (26). Segundo o Palácio do Planalto, Lula defendeu, na ocasião, a necessidade de uma reforma no Conselho de Segurança da ONU, pauta histórica da diplomacia brasileira.
Outro tema tratado entre os dois presidentes foi a situação da Venezuela. De acordo com o governo brasileiro, Lula ressaltou a importância da manutenção da paz na região. Os dois países também demonstraram interesse em ampliar a cooperação no combate ao crime organizado transnacional.
O Brasil tem defendido o avanço no congelamento de ativos de organizações criminosas e um maior intercâmbio de informações financeiras entre os países.
A segurança regional é uma das prioridades do governo norte-americano, especialmente no combate ao narcotráfico. Desde o início do atual mandato, os Estados Unidos ampliaram a presença militar na região, o que resultou, em janeiro, na captura do então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por tropas norte-americanas.
Tarifaço
Apesar da ampliação do diálogo sobre temas diplomáticos e de segurança, a taxação de produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos segue como principal pano de fundo das negociações entre os dois governos.
Em agosto do ano passado, por determinação do presidente Trump, os EUA aplicaram uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, com exceção de cerca de 700 itens. Após encontros entre Lula e Trump em eventos internacionais, a taxação adicional sobre outros 238 produtos foi suspensa.
Ainda assim, diversos itens brasileiros continuam sendo sobretaxados, como máquinas, móveis e calçados, que seguem pagando alíquotas superiores às praticadas antes das medidas adotadas pela Casa Branca.
